Autoridade é projeção paterna-materna. Essa noção remonta a base de nossa modelação (aprendizado de comportamentos e significados). Embora seja mais um comportamento do medo, pode ser subvertido e usado como uma potente ferramenta terapeutica. Algumas tradições permanecem na estrutura de autoridade/dogma. E essas linhas, será que não foram escritas condicionadas pelo desejo de receber projeção de autoridade?
quarta-feira, novembro 24, 2010
sexta-feira, novembro 12, 2010
A cada segundo que passava sem encontrar a chave, mais atrasado ficava, e por conseguinte, alimentava-me também a imaginação “irresistivelmente”.
Durante a prova o mesmo acontecia... A cada segundo de ausência de resposta, menos tempo tinha disponível para solucionar perguntas e respondê-las, “irresistivelmente”.
Não será por isso que o hipnotizador usa-se da contagem e de outras estratégias de natureza semelhante?
terça-feira, novembro 09, 2010
O erro de Emile Coué está em ter emitido uma frase incompleta. Aquela célebre frase, lembra-te, acerca da imaginação sempre vencer a vontade?
Quando eu era bem menor do que hoje sou, aprendi a andar de bicicleta. Certa vez, ainda no princípio do condicionamento, antes do equilíbrio necessário tornar-se uma aptidão inconsciente, vi, há vários metros de mim um portão fechado. Nesse momento, tomado por uma ansiedade profunda ao imaginar que se não conseguisse frear bateria contra o portão minha bicicleta novinha, embora estivesse a muitos metros de mim, paralisou-se meus movimentos. Não fui capaz de apertar o freio. Batí. Entortei o pneu dianteiro da bicicleta, e a mim mesmo. No impacto voei do banco, e colidi com meu saco escrotal no ferro do guidon.
Noutra ocasião, ainda quando era muito menor do que sou hoje, havia estudado muito para passar de um exame, no qual a matéria era muito extensa e difícil. Embora tivesse estudado muito, estava muito preocupado com a possibilidade de me estrepar no exame. Quando recebi a prova, a ansiedade invadiu-me. Não lembrava de absolutamente nada! Branco absoluto. Estrepei-me, evidentemente.
Ontem, atrasado para sair, não encontrava a chave de forma alguma. Procurei varias vezes numa gaveta que lembrava tê-la colocado, e absolutamente nada de chave. Compreendi seu misterioso sumiço. Sentei-me. Entrei em auto-hipnose. Afundei-me na paz interior. Abri a gaveta novamente, e realmente lá estava a chave, conforme recordava. No momento anterior, fui acometido de uma ilusão negativa, pois não?
Certa vez, um místico chamado Bhagwan Shree Rajneesh acertou ao falar algo mais ou menos assim: “só duas coisas são certas de acontecerem. O que intensamente desejamos e o que intensamente tememos”.
Então, não é exatamente a imaginação que vence a vontade. Quem inverte o vetor da vontade é a ANSIEDADE. Rouba-lhe o controle. Muitos rituais religiosos que envolvem imagens e símbolos soturnos e/ou situações de estimulação intensa com gritos e tambores, sacrifícios, auto-mutilações et cetera, utilizam-se dessa qualidade de transe. O sujeito submergindo-se numa situação de stress absurda, perde-se totalmente da vontade-no-controle para a ansiedade-no-controle.
Outra situação onde intensos fenômenos hipnóticos, como ilusões positivas e negativas, manifestam-se condicionadas pela ansiedade-no-controle são nos psicóticos: paranóia, esquizofrenia, ou outras patologias mais dolorosas. Até agora, de todas as pessoas que auxiliei terapeuticamente, sem qualquer exceção encontrada, verifiquei que tudo desaparecia completamente na ausência da ansiedade, o que me confirmou serem todas fruto de ansiedade-no-controle.
Mesmo todas as induções instantâneas produzídas, salvo quando simplesmente encontrei pessoas obedientes, são fruto da ansiedade-no-controle. Coloquei-os em situação de stress interrompendo respostas sociais ou em stress por conta do sustos, por exemplo.
Posturas compulsívas inclusive, diga-se de passagem, são processos hipnóticos oriundos da ansiedade-no-controle.
Allah, quando então estarei eu no controle? Quando é que o medo não me condiciona?