Grande parte da sexualidade é de natureza compulsiva.
As idéias que condicionam o desejo sexual estão muito mais associadas à prazeres sociais que à prazeres de natureza sensível. Tornam-se compulsivos. Com o aparecimento da compulsão, que é o "afundar" do comportamento no inconsciente, ocorre, por conseguinte, o embotamento da atenção durante a emissão do mesmo. Esse embotamento faz perder de vista grande parte do prazer sensível associado à pratica. Logo, quanto mais alimentada uma compulsão, menos prazer ela produz, e por isso se torna preciso aumentar sempre sua "dosagem". Infelizmente, quanto mais se repete o comportamento, mais sua frequencia se fortalece, mais se embota. Quanto mais se embota, mais intensa se torna a "fome".
Mas toda compulsão que entra em processo de extinção tem dois estágios. Primeiro, por conta da abstinência, ocorre um aumento de frequencia e na topografia do comportamento, além da possível presença de emoções relacionadas a frustração, medo e raiva. Depois dessa fase, quando finalmente a compulsão "morre de fome", somos direcionados a buscar àquela compensação noutra compulsão. Nesse momento, se for realizado o Trabalho, elas poderão desaparecer por completo. Se não houver a realização do Trabalho, basta apenas uma emissão do comportamento compulsivo para que a compulsão ressurja, tal qual Fenix, com força total.
Por que é interessante a realização do Trabalho?
A Abstinencia, a Renúncia, é consideravelmente útil pois, ao se enfraquecer compulsões (que são nossas principais rotas de fuga que nos embotam a Vida), todo esse desejo se direciona À Convicçao (que é também uma qualidade específica de compulsão, só que ao inves de embotar a Vida, embota a Morte). Essa firme Convicção, associada a uma também firme capacidade de Concentração, permite-nos cavar dentro de Si... Lá no fundo há tesouros escondidos. Muitos, inclusive. Só o "afundar" liberta totalmente da necessidade de práticas compulsivas.
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