terça-feira, julho 27, 2010

Dúvidas têm muito mais poder que afirmações. Cognitivamente falando. O problema da dúvida é que ela é dor, tensão, problema. Por isso, foge-se desesperadamente da dúvida. O Caminho do religioso é uma forma de hedonismo cognitivo. Foge-se da insegurança cognitiva produzida pela dúvida ancorando-se em dogmas de uma figura de autoridade. Através da duvida pode-se atingir a auto-realização muito mais rapidamente que através da fé, exatamente por ser a dúvida uma dor. A dor elicia sem grandes dificuldades nossa atenção. Ora, só percebemos que temos dedo mindinho do pé esquerdo quando o sapato lhe aperta.

Um comentário:

J.L.Tejo disse...

Rapaz, que post bem sacado. Estamos acostumados a querer respostas; mas a vida não é assim, ao contrário a dúvida é a regra. A solução? Voltar-se para a figura de autoridade, o "guia", que irá nos acalentar, nos dizer o caminho a seguir. Daí nos sentimos seguros, "protegidos".

Deve ter alguma coisa de freudiano nisso: a necessidade do "pai". O religioso é como a criança que não pensa por si só, antes, recorre à figura paterna, ao dogma, àquilo que já está preestabelecido. Assim, não há necessidade de pensar: não há sustos, não há medos.

O que falei no tópico é pura verdade. Quanto mais eu converso com religiosos, mais eu me sinto feliz por não ter religião alguma. Aliás, de tanto que eu já ouvi, era pra ser um ateu raivoso. Mas não caio na armadilha, não se responde obscurantismo com mais obscurantismo.

Como marxista sei que a religião não é boa ou má, pode ser um e outro conforme as condições históricas (isto é, os próprios homens) a façam. Enquanto muitos olham o dedo, uns poucos (e eu queria estar entre eles) olham a lua que o dedo aponta.